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Domben: pequena odisseia musical

Pode ser um dia de mudança ou faxina, seja qual for, por algum motivo você tem de mexer em caixas esquecidas no guarda-roupa ou dispensa. Lá estão elas , cuidadosamente encobertas pelos anos com camadas de poeira. Ao abrir cada uma delas, a surpresa com moedas, cartões de aniversário, isqueiros e outros objetos que você nem imagina de onde vieram. No meio deles um porta-cds e vem a curiosidade de descobrir o que pode ter lá dentro. Pode ser que sejam CDs de instalação de um equipamento antigo… Pode ser que sejam os takes originais das gravações da banda que você tocava 12 anos atrás.

E ali você volta no tempo, se vê andando com seus amigos pelo escuro das ruas da Ribeira com instrumento musical nas costas esperando o dia amanhecer. Hoje cada um tem uma profissão diferente e moram em pontos distintos do país. Reacende o sabor e cheiro da cerveja nos shows em espaços apertados, da vida corrida entre faculdade e trabalho juntando grana para gravar. Será que ainda sei tocar aquela música daquele jeito? Por onde anda aquela palheta, e a escaleta?Lembra da guitarra, do baixo, das baquetas… dos sonhos e projetos dos 20 e poucos anos, tanto dos que ficaram pelo caminho, quanto dos que conseguiram ser realizados. Bem, essa é a história de um deles. Depois de mais de uma década, enfim as duas músicas gravadas vão ao ar nas plataformas digitais.

Em 2008, a banda Domben realizava uma temporada de shows em Natal e Mossoró, nos tradicionais pequenos e médios palcos de rock potiguar e na casa de amigos. Levantaram uma grana e gravaram com Dante Oliveira utilizando a estrutura do estúdio DoSol na capital potiguar. Já em 2020, Cássio Augusto achou os takes originais e levou para o Estúdio Espelunca em Porto Alegre – onde hoje ele mora. O produtor Pedro Mariano Wortmann fez, junto da banda, um primoroso trabalho de mixagem e masterização dos áudios originais de voz e instrumentos.

Hoje, doze anos depois de gravadas, temos a oportunidade de escutar “Fardo” e “Adeus Prazer” em todas as plataformas digitais. É mais que a ativação de uma lembrança, é a celebração e o justo encerramento de um ciclo importante de nossas vidas!

Domben
Cássio Augusto Ramos – voz, guitarra, escaleta;
Guilherme Oliveira – voz, guitarra;
João Gilberto Saraiva – teclados;
Moysés Gama – baixo;
Waldemar Ramos – bateria.

Texto: João Gilberto Saraiva.
Fotos: Bilico.