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Cacto

Um cacto nasceu na calha
Passem de longe, ubers, ônibus, rio de aço do tráfego
Um cacto ainda desbotado
ilude a polícia, rompe o concreto
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que um cacto nasceu.
Sua cor não se percebe
Suas flores não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feio. Mas é realmente um cacto.
Sento-me no chão da capital do estado às cinco horas da tarde e lentamente passo os olhos nessa forma insegura.
De lado das telhas, nuvens maciças avolumam-se
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico
É feio. Mas é um cacto. Furou o concreto, o tédio, o nojo e o ódio.

João Gilberto Saraiva.

Desde que voltei a morar no bairro de minha infância, esse cacto nascido no teto da casa vizinha – ao lado da janela do meu quarto – me impressiona. Nesses dias de quarentena, fiz essa pequena releitura (uma homenagem) de A Flor e a Náusea, poema de Carlos Drummond de Andrade publicado no livro A Rosa do Povo de 1945 . Um dos meus livros favoritos de poesia! Quer conhecer esse poema escrito no contexto de distanciamento social, aflição e crítica social da Segunda Mundial? Veja essa leitura do poema original lançada em vídeo pelo Canal Livrão:

Quer conhecer mais sobre Drummond, o mais conhecido poeta brasileiro e um dos maiores poetas da língua portuguesa? Veja aqui seu perfil na Wikipédia.

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Revolupão – Faça você mesmo

Nossos primeiros pães feitos em casa!

Ainda antes da explosão do novo coronavírus (Covid-19) e da onda de quarentenas em diversas partes do mundo (incluindo grandes e pequenas cidades brasileiras), eu tomei conhecimento de dois amigos que faziam seu próprio pão em casa. Logo após a descoberta, uma questão que me veio foi: Por quê? Por que alguém sai da comodidade das padarias e supermercados e começa a fazer pão em casa? Como eu já esperava, não era primordialmente uma questão de economia (não dá para competir com os preços da indústria!) nem de nutrição (nenhum dos dois é efetivamente ligado ao mundo da nutrição ou é fitness!). Então eu perguntei a cada um deles (via whatsapp já que estamos separados por quarentenas no RN, RS e SP no momento).

Fazer meu pão é como tirar um tempo para mim. Dedicar minha atenção para algo que irá me alimentar. Pensar no que eu como, em como é a cadeia de produção e o que me fará no corpo esse alimento. Acho que me ajuda a refletir no todo do meu eu, do meu cotidiano e minha relação na sociedade.

Iberê Moreno (Instagram), professor de Relações Internacionais que ama quadrinhos e adora cozinhar.

Fazer pão é transformar a abstração do afeto em algo concreto, tangível. É aprender a respeitar o tempo e o ciclo de reprodução do alimento e também uma maneira de descarregar meu stress sovando uma massa bem elástica e fofinha

Gustavo Mor (Instagram), doutorando em História, anarquista praticamente da calistenia e a boa culinária.

Nesse tempo de resguardo dentro de casa, eu e Erielma, nos voltamos para fazer várias atividades pendentes (da arrumação do guarda-roupa até a trocar os vasos das plantas) e também aprender e fazer juntos novas tarefas e receitas. Foi ai que a história do pão retornou a nossa cabeça e decidimos tentar!

Fazermos nosso próprio pão – até para quem já cozinha em casa como nós – foi surpreendente. Ver a a massa crescendo, a transformação dentro do forno e o sabor no final de pãozinho caseiro foi incrível! E como disseram meus amigos – os dois padeiros caseiros veteranos-: fazer pão é também uma questão de tempo para si próprio e para reflexão (muitas vezes crítica) sobre os contextos nos quais estamos inseridos, uma forma de diminuir o stress e fazer uma reconexão entre o eu e o mundo. Por essas e outras, venha fazer parte da Revolupão!

A Receita

Procuramos uma receita fácil (já que nunca tinhas feito um pão na vida) e que tivesse ingredientes que pudessem ser comprados em qualquer mercadinho de bairro. Uma das mais fáceis que encontramos foi a da cozinheira youtuber Tata Pereira. Como somos apenas duas pessoas, cortamos os ingredientes pela metade. Se liga ai!

Ingredientes:

1 kg de farinha de trigo
2 ovos
2 xícaras de leite
1 xícara de água
3/4 de xícara de óleo
6 colheres (sopa)de açúcar
1 colher de chá de sal
1 saquinho de fermento biológico (apenas 10g)

Observação importante:
Duas dicas dadas pelos dois amigos mais experientes:
1. a farinha de trigo SEM FERMENTO;
2. Não usar aquele fermento químico mais comum (muitos chamam pela marca, Royal), procure pelo sachê de fermento biológico.
3. Preste bastante atenção na parte de sovar e espalhar a massa!

Fizemos algumas fotos e gifs seguindo o passo a passo da receita. Coloquei eles em ordem de execução.